De vez em quando costumo achar que sou eu mesmo meu maior inimigo. Sou eu que me encho de ironia na frente dos espelhos, que carrego a autocrítica dentro do peito. Sou eu, eu estranho, possessivo, chato, pífio eu – que procura os teus beijos, tua presença nas esquinas, que não consegue te tirar do peito. Sou eu que durante todo este tempo carrega essas fotografias antigas, parar reviver mentiras que me doem no peito. Sou eu que vivo em nostalgias, sou eu que fico em vigias na frente do portão, esperando algum sinal teu. Sou eu que perdi o chão. Sou eu que vivo em desabafos, em abraços, sou eu que vivo de chorar todas as noites abraçando travesseiros. Sou eu que vivo a escrever cartas, textos, onde contidos nesses está o que sorrateiramente tento omitir. Sou eu que vivo em dores, em faltas, que espera tuas cartas, sou eu que procuro pedidos de amor nas tuas rimas. Fui eu que perdi os sorrisos, os momentos, os ciclos. Fui eu que tanto quis deixar de ser singular, que sempre quis converter a tua despedida numa iniciativa…
Num pedido de volta, num pedido de ‘fica’.

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